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televisão · fora · do · ar.

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então você vê, é como a twiggy, a menina das asas gigantescas derretendo sob dezenas de holofotes coloridos, como se fosse feita de cera. que importa o diâmetro das asas, o alcance das pálidas penas, a ventania que elas produzem, se são inúteis? nunca vou chegar a lugar algum. todas as janelas estão fechadas, e as portas são vigiadas por guardas com corações rígidos como o pavimento onde as gotas de água (milhares de pequenas suicidas, caindo em queda livre, voando pela última vez na vida) explodem seu pequenos corpos esféricos, o tempo todo.
está chovendo desde o dia em que eu percebi as grades ao meu redor.

voltei.

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estou de férias do livejournal, então até logo. milhares de trabalhos e provas ocupam todas as minhas linhas cerebrais, me impedindo de pensar em coisas agradáveis para escrever aqui. me demanda muito, e cansa. então estou aqui feliz com um sketchbook novo, e um blógue totalmente experimental (nada tão ridiculamente adolescente, nada tão infantil) que ninguém nunca vai ler porque me recuso. só sobre o meu abracadáver.

enfim.
volto quando eu voltar. :*

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comprei muitas bolinhas luminosas presas por um fio, hoje -- como se eu amarrasse estrelas e as trouxesse para casa, apenas menos triste. assim minhas noites sem dormir não serão tão monocromáticas.
foi [mais um] lindo dia sem você.
a maçã tinha quatro pernas.

e Aimée costurou os pássaros mais bonitos no céu, todos coloridos como as pinceladas aleatórias de um pintor esquizofrênico.

(nem brinque, desisti de fazer sentido.)

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cacete. alguém me bate que eu estou muito beesha twee pop. além da conta. céus.
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eu adoro perder meu tempo escrevendo, em papel de chá, cartas de amor absolutamente utópicas e rabiscadas com pressa, como se fosse de verdade, como se alguém fosse recebê-las e passar horas sorrindo. eu sei, é tão bobo quanto regurgitar todo o seu amor em um pote de geléia de framboesa vazio, guardá-lo no fundo do armário, a salvo, esperando por alguém que o mereça.

"se eu sentar na escada e contar até quinhentos sem errar, vai aparecer alguém, eu sei que vai."

(não, eu estava só brincando.)

só me resta sair distribuindo papel de chá com amor como quem entrega panfletos. não me parece uma idéia nada ruim.

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a cidade está morta lá embaixo, como uma menina triste que se jogou da janela do quarto sorrindo pela última vez; sorrio também. a única luminosidade vem da ponta rubra do meu milésimo cigarro, e milhares de milimétricas mariposas fluorescentes descrevem formas geométricas variadas a seu redor. o que é que ainda estou fazendo aqui? são 01h13min e quero ir embora. para longe, para qualquer lugar que tenha luzes neônicas por todos os lados, gatos vadios atirando notas musicais à lua em uníssono. para um lugar que seja meu meu meu, porque sou uma bobona possessiva, um coelho sob seus faróis assustado com a luz (you don't come to visit, i'm stuck on this bed), e preciso ficar sozinha.
o ideal, na realidade, seria ter alguns alqueires de solo lunar. eu escreveria "a terra está tão bonita hoje: um balão azul-cinzento perdido na escuridão", eu encontraria o moonpilot ben e o são jorge e o dragão e todos tomaríamos café em xícaras de plástico rosa, conversando sobre amenidades.
mas estou aqui.
a cadeira azul, a janela fechada, a televisão da sala ligada murmurando coisas que ninguém quer saber, o vazio, o tédio, o ohcéusalguémmetiredaqui. além, é claro, de todos os papéis que eu tenho que escrever e entregar na próxima semana para professores quase invisíveis. "o expressionismo alemão é caracterizado pelo contraste entre luz e sombra, espelhos, ambientes vampirescos e atrizes bonitas com olhos gigânteos que dizem ohhhhh! e aaaaaaah! e levam a mão à testa". enquanto isso, nina continua implorando para que ele não a deixe -- mas é inútil, querida, é mais do que inútil, é lamentável, portanto desista nina simone, desista.
desista, nina trevor.
então apago o cigarro. as mariposas dissolvem no ar e os vizinhos exalam gemidos lascivos pelos poros, como as flores ejaculantes de rimbaud. vou dormir sozinha com só uma estrela no céu -- o que seria poético se não posse patético. buenas.
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oh, e além disso, esqueci de mencionar que nos sentamos em zebras, comemos morangos alcóolicos e acompanhamos com o olhar a dança de acasalamento de dezenas de abelhas vermelhas (um longo ferrão amarelho, asas translúcidas, olhos verdes vítreos), descrevendo elipses e espirais ao redor dos já citados lustres de papel que mais pareciam lâmpadas japonesas. (:
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